Por Roseli Costa

24/03/2020

 

Este momento de isolamento devido à pandemia da Covid-19, em que temos que nos trancar obrigatoriamente e permanecer distantes do que gostamos de fazer e de quem amamos, como entes familiares e amigos, é muito doloroso, mas também representa chance inestimável de fazermos reflexões internas e acerca do país e da sociedade em geral.

 

A começar pelos nossos hábitos e cuidados com os outros,  podemos perceber o quanto vivemos mecanicamente, entregues à dinâmica do dia a dia e das demandas do trabalho. Temos agora que nos esterilizar a todo momento,  tanto para segurança de nós próprios como do entorno.

 

Não sair a todo momento para mercados e farmácias exige planeamento e economia, já que o panorama econômico se aponta bem hostil, mesmo antes da pandemia e ainda mais agora, em que a grande boca do sistema capitalista deixou de devorar os trilhões advindos da mão de obra, do consumo e da dinâmica mercadológica. Sem contar, é claro, que podemos nos contaminar, a nós e aos outros!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acabamos pensando mais na vida, nos entes próximos,  nas famílias que dependem da escola para poder comer e trabalhar, com seus filhos protegidos pelo muro da escola, independentemente do nível de aprendizado que obtenham.

 

Visualizamos famílias que nem podem se proteger, devido ao exíguo espaço que dividem com as pessoas que as compõem; a violência do convívio abusivo fortalecida; os idosos, que necessitam de cuidados especiais, muitas vezes abrindo mão de sua segurança e mínimo conforto para abrigar netos e filhos maduros que perderam seus empregos informais... É tanta coisa que nos invade nas leituras verbais e não verbais do mundo que o equilíbrio emocional deve ser perseguido para que se atravesse período tão conturbado.

 

Contudo, o que mais se escancara em momentos assim, de tragédia coletiva, é o aspecto sociopolítico. E como estamos mal, com governantes neoliberais, egoístas, inoperantes, perdidos em suas visões de mundo capitalistas e antissociais! O quanto o lado mais pobre da sociedade brasileira está descoberto em necessidades básicas e saúde! O quanto se deixou de investir no SUS, modelo de saúde que nos salva neste período de catástrofes maiores! O quanto a precarização dos direitos trabalhistas e dos investimentos para criação de vagas de emprego estão defasados, tudo para sustentar uma política em que os mais ricos ficam cada vez mais e os mais pobres tornam-se incômodos seres que insistem em sobreviver!  "E agora, José; por que você existe, por que você não morre?", devem pensar as classes sociais que vivem para a ascensão, não para o bem-estar coletivo.

 

Fica escancarado que o Estado mínimo é perverso, que o trabalhador precisa de uma rede de proteção básica para que se sustente o modelo econômico que vivemos; e que é impraticável em uma sociedade desigual e em tragédias coletivas.

 

Estamos vendo o óbvio a duras penas: religiosos que prometiam cura e neoliberais que defendiam o mercado/lucro em detrimento ao social procurando o SUS e o funcionalismo público, tão execrados pelo neoliberalismo; que a Ciência merece respeito e é nossa fonte de pesquisas para saída do desconhecido; que empresa privada não atende ao coletivo, pois em suas metas o lucro está acima das vidas; que a solidariedade, a cooperação, a inteligência estratégica e humanitária de governantes é  de suma importância para o bem-estar social.

 

Se no meio ou no final de tudo isso não percebermos alguma mudança no país e no mundo capitalista, poderemos ter certeza de que vivemos à deriva, perdidos em um labirinto de maldade e de individualismo autofágico e sem volta.

Desenho:Alexandre Maretti

 Reflexões sobre a crise do Coronavírus

Tempos incertos inspiram necessidade de união

                      

        Texto e arte:Roseli Costa

             27/12/2019            

                       

 

 

                 Mais um ano chega ao fim. Infelizmente não assistiremos a um panorama brasileiro com mais equidade, humanismo e união, como tanto sonhamos. Inversamente, pressentimos notícias ainda mais negativamente impactantes para o pobre, o preto, o índio, a mulher e outras minorias.

 

                  Ao fechar das cortinas do macabro espetáculo de horrores banalizados que foi este ano, insultuosas decisões e frases dos governantes  poderão ser jogadas ao vento, açoitando-nos em vários níveis e dimensões, em função da distração que invade a todos, própria da época. E o que nos espera no ano vindouro poderá ser bem mais desalentador para os que sonham com uma sociedade melhor.

                 

                  A única certeza é de que, cada vez mais , a amizade, o amor, o carinho, o respeito, o discernimento, os familiares...tudo o que habita o encantado mundo do acolhimento....será componente vital, primordial para que não sucumbamos a tamanha ausência de norteamento e solidariedade que rege o nosso e outros países. Ninguém solta a mão de ninguém. Cada gota de ânimo e esperança será fundamental para esse estranho momento da história da humanidade. 

Lula livre

Foto:Paulo Maretti

Por Roseli Costa

Neste Sábado, 9/11/2019, por volta das 19 horas, o ex presidente Lula foi recebido no Sindicato dos metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo,  um dia após ser liberado depois de 580 dias preso em Curitiba.

A multidão de apoiadores entoou músicas e bradou gritos de saudação entusiasmada ao líder petista em uma mostra de que a presença de |Lula novamente no cenário político faz renascer um movimento às ruas contra os últimos acontecimentos resultantes das reformas e projetos do governo Bolsonaro.

A libertação de Lula, que ainda está em condição inelegível, foi muito comemorada no Brasil e internacionalmente, já que sua prisão foi injusta e inconstitucional.

Lula, com seu carisma e força política, dá novamente vazão aos anseios populares por lutas sociais em prol de retomada de direitos perdidos e protagonismos das minorias e dos mais pobres por uma sociedade mais justa e igualitária.

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